Tenho recebido alguns pedidos em inbox para falar um pouco mais sobre as tecnologias que eu estou pesquisando. Pra quem não sabe, eu sou pesquisador em neurociência. Estudo a influência de estimulação transcraniana não invasiva na impulsividade, avaliando com um exame de neuroimagem funcional que é a espectroscopia próxima ao infravermelho.

Eu acredito muito no futuro dessas novas tecnologias e no impacto que elas terão na forma como fazemos medicina. E, como vocês pediram, eu vou falar, nas próximas semanas, um pouco mais sobre essas tecnologias e sobre algumas outras que utilizamos no laboratório que eu pertenço. Tenho certeza que irão gostar!

Começarei falando sobre o NIRS. Essa sigla significa Near InfraRed Spectroscopy. Esse aparelho funciona mais ou menos igual ao oxímetro de pulso. Ele é um dispositivo com fontes que emitem uma luz próxima ao infravermelho e com receptores que captam a frequência de luz emitida pela hemoglobina oxigenada e não oxigenada. A luz que é emitida penetra no córtex cerebral, a hemoglobina oxigenada e não oxigenada absorvem essa luz e emitem frequências diferentes de luz, que por sua vez é captada pelo receptor.

Dessa forma, conseguimos saber a ativação cerebral do cérebro em áreas específicas e a interação entre elas. Esse exame de neuroimagem é bastante promissor porque é prático de se aplicar e existem dispositivos móveis que permitem a realização de outras atividades juntamente com o exame. Imagine ver como o cérebro se comporta durante uma sessão de Yoga, por exemplo. E não só isso. Conseguimos ver como as diversas áreas do cérebro se relacionam e como elas vão se modificando no decorrer do tempo!

O NIRS está crescendo bastante agora por entregar dados importantes de funcionalidade cerebral. Até então estávamos reféns da Ressonância magnética funcional, agora temos outra opção. Quando comparado com a ressonância, o NIRS é mais barato por ser móvel e sua aplicação é bem prática. Entretanto, o NIRS não consegue analisar áreas mais profundas do cérebro porque a luz só consegue penetrar até 3cm do córtex.

Hoje, no Brasil, temos poucas pessoas que sabem mexer com esse tipo de aparelho e os métodos de análise das imagens do NIRS não estão muito claros, mas certamente essa será uma tecnologia que iremos ouvir falar e prescrever muito nos próximos anos. Essa semana irei viajar para Londres pra fazer um estágio com um grupo de pesquisa patrocinado pelo Bill and Melina Gates que utiliza NIRS para avaliar o neurodesenvolvimento de crianças africanas e de países europeus. Depois de lá irei pra China pra aprender com o maior grupo de pesquisa de conectividade cerebral usando NIRS do mundo sobre como avaliar conectividade usando NIRS.

Vou trazer muitas novidades aqui pra vocês e mostrar muita coisa também nas nossas redes sociais. Não deixe de nos acompanhar por lá pra não perder nenhum momento!

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Yuri Machado é médico, formado pela Faculdade de Medicina da UFMG, faz mestrado em neurociência pelo departamento de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG. Yuri é um workaholic assumido. Ama trabalhar, criar novas coisas e enfrentar desafios. Atualmente é CEO da MedBeta, onde enfrenta seus maiores desafios e tem suas maiores alegrias. Seu sonho é transformar o mundo através da educação. Ele acredita em uma educação participativa, em que o aluno é o principal protagonista de sua própria educação. Tem atuado ativamente em projetos inovadores na área da saúde! É diretor técnico da Saúde Ventures (a primeira Ventury Buider da área da saúde) e sócio fundador da ADDHERE, uma startup que visa melhorar o diagnóstico e o tratamento de crianças e adolescentes com TDAH. Mesmo com tanto trabalho, não abre mão de ser um bom marido pra sua esposa,Ingrid, e de ter tempo de qualidade com seus amigos e família. Ama viajar e conhecer novas culturas. Sua missão é impactar o mundo positivamente com suas ações, independente de onde ele estiver.

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